sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amor é Sorte *

“Sexo é escolha, amor é sorte...” (Amor e Sexo, Rita Lee/Arnaldo Jabor)

Sexta-feira 13, dia de superstição pra muita gente. Sendo treze de agosto então, nem se fala. Aí estava eu, a caminhar pelo fim da tarde, vendo o céu em tons de laranja, azul claro e as primeiras estrelas surgindo e pensei: Sorte. Nesse dia controverso, onde sorte e azar se misturam, dependendo do ponto de vista do observador, pensei em alguns momentos da minha vida, e como fui presenteada com algo que não tem preço, não tem como mensurar, e poucos o ganham, em forma plena, o amor.

Ah, o amor... “Que nasce não sei como, vem não sei de onde e vai não sei porque...”. Esse amor que só é realizado nos filmes de amor e no último capítulo das novelas, e na vida real está muito mais para platônico, fora do eixo, desorientador do que simplesmente apaziguador do nosso coração. Porque não é simples como nas ficções?

“O amor na prática é sempre ao contrário”, já dizia o poeta, e isso é verdade. E é um daqueles presentinhos mágicos que certas pessoas sortudas recebem, às vezes sem merecer, e alguns merecedores se questionam de porque não receber. Ele não é uma equação matemática do tipo: se eu faço tudo certo + sou uma boa pessoa + sou honesta, tenho bom caráter e disposição = ganho um amor de presente.

Você pode fazer tudo certo, sentar pra esperar, deitar porque cansou de sentar, dormir, porque cansou de ficar deitado, acordar numa ressaca emocional e o amor estar nem aí pra você. Nem perto de chegar. E você pode simplesmente piscar, dar “oi” pra um novo coração depois de mal ter acabado de dar “tchau” pra outro, e pimba! – Olha o amor aí te pegando desprevenido.

Ele não é como lutar por um emprego pelo qual se esforçou muito, e teve o mérito. Não é como uma prova que deseja passar, estudou muito, e teve sua recompensa. É apenas uma questão de sorte. O que eu, particularmente, acho uma tremenda injustiça. Todos merecem um amor. Mas se nem todos o merecem, que recebam os que façam valer a pena, e não aqueles que o deixam passar sem perceber seu valor. Porque nesse mundo, há toda sorte e tipo de gente: dos que amam amar e dos que amam ficar longe do amor. E se cabe à sorte e ao azar decidir o premiado da vez nessa loteria, que vença o que faz apostas, e não o que acha o bilhete perdido no meio de uma calçada.

Mas não é assim que acontece, e tudo isso tem um porque: quem o tem e deixa passar, um dia irá lamentar. Quem quer, faz por merecer e custa a ter, em uma bela tarde cinzenta, sem prazeres e expectativas, o encontrará molhado sob uma tempestade, amassado numa esquina qualquer, coberto de poeira quase impercebível, e apesar de pouco convencional e nada notável, não haverá dúvidas que ali estava, então, o tempo todo, escondida a sua sorte. Num cantinho bem guardado pra só você achar, e ninguém te roubar. Um bom amor a todos...

“Não tenha dúvidas, pois isso não é mais secreto. Juntos morreríamos, pois nos amamos. E de nós, o mundo ficaria deserto...” (Meu Mundo Ficaria Completo, Cássia Eller)

*Neoqeav

By Mônica

Política da Nova Idade Média

Quando os brasileiros forem às ruas para votar no primeiro domingo de outubro deste ano de 2010, está será a sexta vez desde o fim da ditadura militar que um presidente será escolhido por voto direto.

De 1989 pra cá muita coisa aconteceu, vou citar as mais importantes: Fernando Collor de Melo (o primeiro presidente eleito pelo voto direto) sofreu um impeachment, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso foi eleito e reeleito (e também pediu para que esquecêssemos o que ele havia dito em seus livros), o ex-torneiro mecânico Luís Inácio Lula da Silva também foi eleito e reeleito após perder três vezes consecutivas (e se aliou com antigos inimigos políticos, como os ex-presidentes José Sarney e o supracitado Fernando Collor).

De lá pra cá apenas uma coisa não mudou, a estrutura eleitoral – não estou falando da urna eletrônica, que é a única coisa boa do sistema eleitoral -, o povo continua sendo obrigado a votar (defendo que o voto não deve ser uma obrigação e sim um dever), as campanhas políticas continuam poluindo as ruas (e não só do ponto de vista ambiental, mas também sonora e visualmente), o horário político também continua sendo obrigatório, e somos obrigados a aturar um circo dos horrores recheado de hipocrisia e demagogia.

Como se isso tudo que citei no parágrafo acima não fosse o bastante, o debate político, a única coisa que salvava o período eleitoral da mesmice, deixou de ser a única oportunidade dos eleitores verem os candidatos de “cara limpa” sem toda a pirotecnia dos programas de partido e sem a companhia dos famigerados marketeiros. E se tornou apenas uma extensão do horário político, pois pelo que vi dos “melhores momentos” do primeiro debate entre presidenciáveis, as respostas (e perguntas) foram todas dadas em piloto automático e até o meu/minha candidato (a) preferiu usar como argumento para ser eleita a sua infância humilde (mais do mesmo?). E depois acabei confirmando esta minha opinião, quando soube que os candidatos passaram os três dias que antecederam o debate trancados com seus assessores, formulando as respostas que dariam para todo tipo de pergunta, das mais estaparfúdias até as mais clichês.

Infelizmente minhas expectativas para essas eleições são as piores possíveis e minhas esperanças para que o cenário político nacional seja menos confuso que a América Central está cada vez menor. Torço para que algo mude até o dia da votação, mas pelo que posso ver, o povo continua extremamente ignorante quando o assunto é política.

“Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...”

(Brasil – Cazuza, Nilo Romero e George Israel)

By Eduardo

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Espera Necessária

“Ela se encolhe e aguarda que a corrente do tempo a leve de volta ao seu próprio tempo.”

Era mais um dia de trabalho, e como sempre, apertei o botão a espera do elevador. Sabe aquela coisa de rotina, que já sabemos de cor qual será a próxima cena? Eu sabia qual seria, mas nunca tinha parado para refletir sobre ela, até que hoje, me deu um estalo. Saí do elevador e cumprimentei um senhor sentado na poltrona, ao lado. E parei pra pensar, que todos os dias, noites, feriados e finais de semana, que chego para trabalhar, está lá, o mesmo homem de idade avançada sentado sorridente na mesma poltrona, me cumprimentando e desejando um bom período de trabalho. Quem será ele? O que será que ele faz, passando sua vida ali? Quem será a pessoa que ele acompanha, espera, anseia pela cura, ou pelo irremediável fim? Perguntas que me vieram à mente, e não sabiam calar. Fiquei sem resposta, divagando possibilidades.

Será sua mãe? Creio que não, ela não deve mais ter idade para estar entre nós, já que se trata de alguém de idade avançada. Será um outro parente? Irmão, tio, primo, filho? Talvez. Porém, caso não seja um filho, creio eu que teriam outros parentes mais próximos para revezar a companhia, a menos que ele seja o único parente ainda vivo. A resposta mais lógica que chegou à minha mente – e confesso, a que quis aceitar como real – foi que ele esperava por sua esposa, sua mulher, companheira de uma vida inteira. Isso talvez justificaria dias e noites a fio, gastando talvez os últimos dias, meses e anos de sua vida dentro de um corredor cinza e silencioso de hospital, sorrindo para todos como se quisesse fazer nascer dentro de si, a esperança de tentar recomeçar, não importa o ponto da vida em que se esteja vivendo. Ou talvez ele disfarce muito bem, e por dentro esteja se corroendo em dor e inconformismo, mas ainda assim, precisa se apresentar forte, para dar força a quem tanto quer salvar com seu amor, que já não é mais o suficiente para curar.

Fiquei pensando no tempo de espera, que em algum momento de nossas vidas, todos nós devemos atravessar, com paciência e resignação. A espera necessária. Necessária para uma alma que busca plenitude. Para um coração que anseia conforto. Para sonhos que urgem eternidade. Todos temos um tempo, onde devemos esperar. Seja por um emprego, seja por um filho – no ventre ou fora dele – por uma promoção, por uma resposta, uma cura, um amor. Ou por uma esperança partida em vias de desfalecer. Mas é tempo de esperar, sem desacreditar, para que as coisas possam entrar nos eixos, ou nos consertar e nos alinhar à elas, agora em sua nova forma de ser.

A nós, meros e humildes mortais, basta força. Para encarar as mudanças que a vida nos traz, com coragem e garra para seguir em frente. Com fé que não nos abale diante do rompimento de tudo que nos é essencial, e quase sagrado. Com amor, para que recomecemos, sem deixar de crer que apesar de tudo, valeu a pena, e tudo aconteceu da forma mais bela que poderia ter sido.

E o bom velhinho da história? Continua esperando com um sorriso no rosto, como um adolescente no primeiro encontro com sua namorada. Isso lhe torna jovem, isso lhe faz forte. Sortudo daquele – seja lá quem for: irmão, primo, filho, esposa – que está sendo acompanhado. Ele não desistiu. E se é necessário, ele vai até o fim.

By Mônica

Alguém Pode Dizer o Que é Normal?

Bom... Sei que isso já virou rotina, mas esse comentário que irei fazer no início do texto se faz necessário: Vou logo avisando, estou passando por um ócio criativo e o tema de hoje foi sugerido pela minha parceira no blog. Espero que não se decepcionem com minhas idéias.

Depois de pedir socorro para Mônica no desenvolvimento de um tema para este texto, ela me sugeriu que falasse do caso da procuradora que espancou uma menina de dois anos de idade, que a própria procuradora queria adotar. Também me foi sugerido falar de como nós - a sociedade - já nos acostumamos com casos de violência e já não ficamos tão horrorizados como antigamente (a violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais?).

Como a ordem dos fatores não altera o produto, vou começar a falar sobre a violência.

Renato Russo era realmente um visionário. É incrível, como os assuntos relacionados à violência vem ganhando destaque na mídia brasileira (falo isso não só como leitor e telespectador voraz de jornais e telejornais, mas também como estudante de jornalismo. E sim, nos é ensinado na faculdade que violência vende jornal). Hoje ninguém mais fica chocado com notícias como a do corpo de uma mulher de 21 anos que foi encontrado dentro de uma mala no Canal do Leblon. No primeiro dia se faz todo um circo em cima do caso. No segundo dia se corre atrás para saber quem é o assassino. E no terceiro dia, depois de descoberto quem foi o monstro que fez aquilo, o caso some das manchetes, as pessoas já não se importam mais e foi apenas mais uma vida que foi tirada de forma estúpida e brutal.

É incrível como ninguém mais se revolta com nada. E daí se uma pessoa morreu ali na esquina? O que me importa se dez morreram na favela? O que importa é chegar em casa tranqüilo e em segurança, não é isso que todos pensam? A violência só passa a ser um problema nosso a partir do momento em que nos afeta diretamente, quando nós somos os alvos dela, ou quando pessoas que amamos sofrem com esse mal.

Sem querer ser portador da verdade, eu sinceramente acho que de nada adianta UPP’s, reforço de policiamento ou essas medidas que todo governo adora adotar para dizer que está fazendo alguma coisa, enquanto as pessoas continuarem achando banal o fato de “só” terem morrido 493 pessoas em 120 dias até agora em 2010. E não só isso, o governo comemora esta marca como a menor desde 1991. Eu estou ficando louco ou algo precisa mudar urgentemente na secretaria de segurança?

O próximo assunto foi algo que me chocou. Na verdade, eu nem sei o que escrever sobre esse assunto, porque minha ficha até agora não caiu e sempre tomado por um sentimento de raiva e profunda tristeza quando me lembro disso, mas vamos lá, já que me comprometi a tratar deste assunto e vou fazê-lo.

O que pensar quando você vê no jornal a notícia que uma procuradora de justiça espancou uma menina de dois anos? E o pior (como se ainda fosse necessário ter algo pior...), a promotora, estava lutando na justiça para conseguir ter a guarda tutelar da menina. Eu não sei vocês, mas no momento em que vi isso, demorei pelo menos uns cinco minutos para poder conseguir compreender o que estava sendo dito e para poder aceitar as informações que estavam sendo mostradas.

Como é possível uma pessoa em sã consciência (ok, essa mulher não devia estar em são consciência) se dar ao prazer de lutar na justiça pela guarda de uma criança só para ter o prazer de espancá-la? E não me venha dizer que isso fazia parte de um ritual satânico para uma seita pagã qualquer, porque isso é a maior estupidez. A melhor definição para o caso dessa mulher é um trecho da música “Cotidiano de um Casal Feliz”, do cantor Jay Vaquer, que diz mais ou menos assim: E até pensa em adotar alguma criatura, pode ser uma criança ou um labrador. Só depende da raça, depende é da cor que pintar primeiro...”.

Para por fim a este assunto, sem me prolongar muito mais, eu apenas vou dizer que ainda acredito que a justiça seja feita, mesmo que algo dentro de mim diga que esse caso será esquecido como tantos outros casos, que essa mulher será esquecida pela justiça e continuará recebendo sua excelente aposentadoria paga advinhem por quem? Exatamente... Por nós!

Cadê meu nariz de palhaço?

E antes de encerrar este texto, vou comentar uma coisa e fazer uma pergunta... Quando perguntaram para as empregadas da procuradora (essas que também eram humilhadas por causa da sua cor e do seviço que exerciam na casa da aposentada) por que elas a denunciaram, a resposta foi simples e direta: “Porque se nós não fizéssemos isso, quando encontrassem a criança cheia de hematomas, ela iria dizer que a culpa era nossa”.

O xis da questão é: Em quem vocês acham que a polícia acreditaria? Na respeitável procuradora aposentada que estava lutando pela guarda da menina ou nas duas domésticas? E você... Em quem acreditaria?

By Eduardo

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aline no País das Maravilhas

Já comecei a falar do Mundo das Maravilhas há muito tempo, desde que era criança e tinha Alice no País das Maravilhas como desenho predileto, que assistia todo dia, ao voltar da escola. Essa semana, em especial, quis voltar a falar dela, devido à estréia do filme com direção de Tim Burton. Assim, comecei a divagar sobre ela no outro blog, como podem conferir, e agora venho aqui, falar mais e mais. Mas vou deixar a Alice de lado só por hoje, e me focar apenas no País das Maravilhas, no meu. Aquele que cultivo no meu imaginário desde criança, e que o filme dava asas para voar.

Nesse mundo só meu, as flores não morrem, e não falo das de plástico. É sempre primavera, o amor tem sempre a porta aberta e nosso futuro sempre recomeça. Em todas as mesas, há pão, e no chão, flores enfeitando os caminhos e os destinos. No meu País das Maravilhas, os índios não são mortos para ganharmos um milhão, e todas as crianças têm educação. Ano de eleição é festa, mas não devido ao Brasil ser Hexacampeão: a democracia acontece em seu esplendor, e bons tempos se iniciam com alguém a acabar com a corrupção, a trazer progresso e honrar cada frase do nosso hino e cada voto de gente honesta, que o fez ganhar o poder da nação.

No meu País das Maravilhas, notícia de jornal é ação altruísta pelas crianças com fome na África, cura de doença terminal, fim das secas no nordeste, camada de ozônio regenerando, capitalismo se modificando, para não haver tanta competição, e assim, todos progredirem juntos.

País das maravilhas, ou Mundo das Maravilhas, é todos terem a arte de viver da fé, sabendo muito bem que um só Deus ao mesmo tempo é três e esse Deus será idolatrado por nós, porque é justo deixar um Deus feliz.

Utópico seria não haver solidão, soberba, ira, avareza. E dos pecados que existem, se só restasse gula por caridade e preguiça de desvio de verba. Graças a Deus, sonhar ainda é de graça, e que sonho louco meu lado Alice alimenta no meu imaginário, nesse mundo com flores gigantes, casas de chocolate e um pólo norte todo de sorvete. Onde os bichos falam conosco, entendemos seus sentimentos e os tratamos dignamente. Onde podemos ouvir da lagarta, suas lições antes dela virar borboleta, e aproveitar suas últimas 24 horas de vida voando pelo infinito azul. Onde podemos ver gatos sorrindo e desaparecendo, onde coelhos dizem que ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo...Para desistir dos nossos sonhos. Onde chapeleiros malucos comemoram o desaniversário de todos os excluídos, e uma xícara de chá seja ofertada a todos que tem fome.

Eu quero mudar o mundo, e me acho pretensiosa demais por isso. Mas ser despretensioso não leva a nada. Quem me dera ao menos uma vez, existir um cogumelo que nos faça crescer e diminuir! Crescer como seres humanos, como bons espíritos, livres e que não deixam nada lhes possuir. Diminuir o medo que escorre entre nossos dedos e o fracasso que de vez em quando, nos sobe à cabeça. Essa é uma parte do meu País das maravilhas, que seja sonho ou fantasia, somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter. E sonhos vem, e sonhos vão, e o resto é imperfeito. Venha sonhar nesse mundo, que o que vem, é perfeição.

By Alice (Vulga Mônica)


Alice no Brasil das Maravilhas

Bom... Vou logo avisando aos navegantes, essa semana estarei me enveredando por um universo pouco conhecido, aquela da menina loirinha que segue o coelho branco e acaba caindo no incrível País das Maravilhas. E como eu não gosto de viajar por mares nunca dantes navegados, resolvi dar nome para este país, então... Vamos comigo e com a Alice direto para o Brasil das Maravilhas, o país das falcatruas, das falsas revoluções e dos caretas e covardes.

Ao invés de utilizar a Alice criança do clássico de Lewis Carroll, vou utilizar a Alice adolescente de Tim Burton, que está fugindo de um casamento armado com um playboy esnobe.

O que aconteceria se Alice ao cair na toca do coelho fosse parar em Brasília? Qual seria a impressão da menina ao chegar e dar de cara com a Praça dos Três Poderes? Iria ficar deslumbrada com certeza, assim como fez João de Santo Cristo, se fosse Natal, então, aí que seria uma maravilha (até porque como é época de recesso, não teria nenhum político em Brasília, essa é a época mais feliz da cidade). Alice acharia fascinante aquela cidade projetada, aqueles prédios incríveis, tudo milimetricamente calculado para que o poder político do país saísse de um grande centro como o Rio de Janeiro e fosse para um lugar bem escondido, para que nossos governantes pudessem fazer tudo que lhes desse vontade, sem que fossem atrapalhados pela opinião pública ou pelo povo que os elegeu (vocês brasileiros que não vivem no país das maravilhas sabem que a capital do país foi para um pedaço de terra no meio do planalto central para poder acobertar mais facilmente as falcatruas que são cometidas pelo honráveis deputados e senadores, né? Não? Santa inocência!).

Caminhando ainda um pouco mais, Alice deu de cara com as cidades satélites, aquelas que não foram projetas por nenhum gênio da arquitetura, e sim pelos retirantes nordestinos que ajudaram a construir Brasília, e que após a sua inauguração não encontraram espaço na cidade modelo e tiveram que se resignar a lugares com condições de vida precárias. E como claro, não é essa a Brasília que aparece nos comerciais de TV, esse povo não tem a menor importância para os políticos, porque o que importa é o que os olhos vêem e não o que o coração sente (isso aqui Ioiô, é um pouquinho de Brasil, Iaiá).

Alice, chocada com o que viu na capital do país, resolveu visitar o Rio de Janeiro, grande cartão postal do Brasil, cidade maravilhosa, que vive atolada na violência, purgatório da beleza e do caos que neste mês se transformou no inferno na terra (afinal, o que falar de uma cidade onde vândalos pixam o rosto do Cristo Redentor?). Que vive “feliz” com o milagre das UPP’s, que prometem acabar com a violência dos morros – pelo menos na Zona Sul.

Alice chegou ao Rio no dia da passeata contra a emenda Ibsen, que quer tirar do Rio sete bilhões de reais de royaltes originados da produção de petróleo do estado. Movimento que uniu políticos que se odeiam em prol do Rio (Alice neste momento achou que estava presenciando um momento histórico na política nacional... O governador Sergio Cabral de mãos dadas com a ex-governadora e esposa de um pré-candidato ao governo do Rio Rosinha Garotinho. Foi quando nesse momento um manifestante gritou: hipócritas! Ela só está de mãos dadas com ele, porque não quer que o marido pegue essa bomba se for eleito.). Alice percebeu que quando se trata de Brasil e quando se trata de política, no Brasil nada é o que parece ser. Na verdade, nem o povo é sempre inocente. É triste dizer isso, mas a passeata contra a covardia do petróleo, só levou mais de meio milhão de pessoas às ruas, porque haveriam shows e o povo adora um show gratuito.

Saindo da muvuca armada pelos políticos, Alice encontra um casal de namorados que vê de longe todo circo armado envolta do palco e pergunta por que eles não estão ali no meio e ouve a resposta em forma de música: “Quero cantar o blues com um pastor e um bumbo na praça, vamos pedir piedade, pois há um incêndio sobre a chuva rala, somos iguais em desgraça, vamos cantar o blues da piedade...”.

Alice nada entendeu. Como se é possível viver num país aonde os políticos só se importam com seus interesses e não com os interesses do povo? Como é possível que o povo de uma cidade não se importe se a cidade vai perder ou não um dinheiro que é fundamental para a sobrevivência do estado (talvez porque os cariocas nunca tenham visto esse dinheiro ser investido em nada)?

Desolada e sozinha, Alice pensa: A rainha de copas era um anjo comparado com as coisas que estou vendo aqui... Por que eu não fui para o país das maravilhas?

...

O Sol entra pela janela e Alice desperta, ela está na sua cama, em sua casa e se lembra do sonho que teve. Fala em voz baixa: Nunca mais sigo o coelho branco!

By Eduardo

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Como os Pássaros me Ajudaram a Entender Deus

O Post dessa semana não era pra ser esse. Novidade. Tinha pensado nos mínimos detalhes para fazer um texto sobre Respeito. Aquilo, que a educação manda usar, mas que está em extinção. Ia aproveitar a Semana Santa e explanar sobre respeito, e a minha vontade que ele volte à moda, aproveitando que as coleções Outono-inverno já estão nas vitrines, e prometendo arrasar.

Mas, porém, contudo, todavia, estava eu, numa sexta-feira de linda manhã ensolarada, pós plantão na noite anterior, fazendo uma inocente caminhada. E eis que nesse cenário, vi uma das cenas mais belas que a natureza já me proporcionou. Um espetáculo cujo diretor era Deus, e eu estava ali, na primeira fila.

Eu caminhava à margem do mar. E alguns pássaros sobrevoavam ali, pousados na água como patinhos a nadar. Até aí, tudo bem. Ficou meio impressionante, quando bandos e mais bandos (coletivo de pássaros? Falha de memória do meu tempo de primário, oras) de pássaros vinham voando na direção destes, que estava todos juntos nadando, como um tapete sobre a água. Os que vinham, se juntavam a estes que já estavam, e alguns poucos voavam baixinho, em círculo, sobre os que nadavam, com um balé incrível que parecia ser a coreografia da música que eu ouvia no meu mp3.

Ao olhar pro Horizonte, para a direção de onde vinham os pássaros, milhares deles vinham ainda voando nessa direção, como se tivessem mesmo marcado uma festa ali, ou como se pressentissem o encontro. Não demorou muito, e todos paravam para olhar aquele espetáculo em plena 8 horas da manhã de uma sexta-feira como outra qualquer.

Também não demorou muito para os milhares de
pássaros cobrirem a água de tal forma, por serem muitos, que não víamos água, só um imenso tapete voador, com mergulhos repentinos, e demorados - meu Deus, o que aconteceu? - e emergiam com um peixe. Uau. Simples?Que nada. A cena a seguir me explicou tudinho. Depois de dançar no ar, nadar e comer, os pássaros saiam de dois em dois, voando de volta, de onde vieram. Eles vieram namorar, tá explicado. A dança, no mínimo é parte da sexualidade animal.

E com isso, me recordei de um livro que li, amei e mudou minha vida, se chama "Como os Pinguins me ajudaram a entender Deus", do americano Donald Willer. No livro, ele, um ex-ateu que se converte ao protestantismo, fala de como o "sexo dos pinguins", como ele mesmo define, o ajudaram a entender Deus, porque algo perfeito e sem explicação, só pode ter Deus no meio. Meio, começo e fim.

Ele explica um documentário que viu na TV onde o Pinguim macho fica "chocando" o ovo por meses e meses, enquanto a fêmea sai em busca de comida, numa longa viagem. Mas ela sempre retorna no dia exato que o filhote nasce, horas antes, assumindo o posto de "parideira". E isso, pra ele, é um marco em sua fé. E ele dá muitas lições no decorrer da leitura. Coisas deliciosas de se ler, até porque em momento algum ele nos diz coisas que nos fazem seguir e crer. Mas ele conta tudo que aconteceu como ele pra que ele passasse a ter fé. E isso sim, vale mais que mil
palavras.

Acho, que naquela sexta-feira humilde e despretensiosa, algo mudou em mim, ao ver aquela cena, que se compara aos Pinguins de Donald: Eu me senti inexplicavelmente feliz por estar ali, mesmo odiando atividade física. Eu me senti numa trilha-sonora de final feliz de filme. Eu só pude agradecer por estar ali, quando muitas vezes esbravejei por nada, tendo sempre tudo de melhor na minha vida, e querendo sempre mais do que está ao meu alcance, desvalorizando inconscientemente todas as jóias que estão me afortunando.

Eu agradeci minha vida, e minha Saúde. Eu agradeci pela vida dos meus pais, minha irmã, meus amigos. Eu agradeci por ter ganho o amor que sempre pedi. Agradeci meu emprego e o emprego do meu bem. Pedi a Deus pra curar uma amiga. Pedi a Ele pra ajudar outra a conseguir a viagem que tanto quer pra um país distante, o que me fará sentir muitas saudades. Pedi por uma amiga que vai fazer uma prova. Pedi pela minha prova, e do benzinho. Pedi um bom dia. Pedi por uma amiga que se foi, e por outra que ficou. Agradeci pelo que meus olhos viram. E agora, me sinto renovada ao escrever isso, com a chance de talvez não ser lida por ninguém. Ou mesmo, ser lida, mas compreendida, talvez não.

Porque as experiências mais marcantes que temos em nossas vidas são ímpares. Vivemos e nos deliciamos, mas para os outros, são "apenas cereais". No filme "Click", o homem que dá o controle remoto à Adam Sandler, diz que a vida é como um comercial de cereais. Que tudo parece mágico até chegar aos cereais, no fim do arco-íris, mas que quando chega lá, são apenas cereais, pois a graça não está em chegar atá lá, mas em tudo o que acontece no caminho até onde se deseja chegar.

É isso. O caminho é mais importante que o destino final. Até porque, ninguém quer o final, quer o meio. E que ele seja recheado de sabores, prazeres, delícias, espetáculos em plena terça-feira a tarde, de chuva e frio. Surpresas. Mágicas e espantosas, mas que tirem nossa alma da mesmice, da apatia e da rotina cansativa e que apaga nossa vontade de algo novo.

Que nessa semana, Santa por convenção, possamos refletir. Repensar nossos valores, nossa fé, e o que verdadeiramente nos move e nos faz mover montanhas. Que Santa, não seja a semana onde um homem morreu pra nos provar que a vida vale a pena, e renasceu para que tenhamos esperança. Que Santo seja a forma como direcionamos o nosso olhar, com sensibilidade o suficiente para não deixar morrer a esperança em lugar algum. E para que a fé possa ser vivo instrumento capaz de gerar mudanças no mundo que queremos melhor pra nós.

Feliz Páscoa a todos.

Vívian, sinto saudades de ti.

By Monica

Tema, Sem Tema.

Antes de qualquer coisa, começarei este texto com um aviso: Este texto não terá um tema central. Aí vocês vão se perguntar: “Oras e como esse cara quer que a gente leia um texto que não tem tema?”, e eu lhes respondo: “Este texto é como a vida... Ele falará de tantos temas, que no final das contas ele não terá tema.”.

Se conseguir transpor para cá os meus pensamentos, eu dissertarei sobre o casal Nardoni e a Semana Santa.

Vamos tentar começar falando do casal Nardoni que foi acusado, julgado e condenado pelo assassinato da pequena Isabella, filha de Alexandre.

Tentando me incentivar a escrever, Mônica me deu uma excelente idéia... Falar do que aconteceria no Brasil se ao invés de condenados, o casal fosse considerado inocente do crime.

Eu juro que estou tentando imaginar a cena: Um carro da polícia saindo pela porta dos fundos do fórum com o casal. Um sorrindo para o outro, com a sensação de que conseguiram enganar a todos e de que o tempo que passaram na cadeia foi apenas umas férias pagas com dinheiro do contribuinte. Os policiais no banco da frente revoltados com o fato de terem que escoltar o famigerado casal. As pessoas na porta do fórum querendo fazer um quebra-quebra com a decisão do juiz, o promotor Cembraneli soltando fogo pelas ventas, dizendo que vai recorrer da decisão e os advogados de defesa falando que a decisão foi justa. Nos jornais de domingo todos os colunistas escreveriam sobre o assunto, e o Fantástico faria uma enorme matéria tentando explicar (e entender) como o casal foi inocentando, mesmo com todas as provas apontando o contrário.

Com certeza na segunda-feira Alexandre e Ana Carolina dariam uma entrevista coletiva dizendo que a justiça foi feita. Alexandre dizendo que a filha era seu bem mais precioso e que estava sofrendo muito com aquilo tudo. Ana Carolina dizendo que tudo que viveu foi um pesadelo e que quer esquecer o passado e cuidar dos filhos.

Enquanto do outro lado da cidade, numa sala vazia e triste, uma mãe estaria chorando, segurando o relicário com a foto dela e da filha morta, uma criança de cinco anos, que foi defenestrada do sexto andar do prédio do pai, pelo próprio pai após ser praticamente torturada pela madrasta que a odiava simplesmente porque ela parecia com a mãe. Ana Carolina Oliveira estaria em estado de choque, porque além de ter perdido sua única filha, também corria o risco de encontrar com os culpados no cinema, no teatro ou em qualquer outro canto da cidade, pois eles haviam sido inocentados de um crime que nem eles acreditam que não cometeram.

As pessoas que ainda estão lendo este texto devem estar se perguntando por que escrevi isso tudo, já que graças a Deus o casal foi condenado e a mãe de Isabella mesmo que não possa ter a filha de volta, pelo menos pode ver os culpados atrás das grades. Eu fiz isso porque quero dizer que tudo o que aconteceu foi uma grande hipocrisia. Querem saber por quê?

Porque em mais ou menos 12 anos (até antes, esperem só a opinião pública esquecer do assunto) Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá estarão por aí livres aproveitando a decisão que os liberou para passar os dias em casa e a noite na cadeia, e depois de mais um ou dois anos – tudo depende da competência de seus advogados – eles estarão completamente livres, simplesmente proibidos de sair do seu estado de origem.

Nossa justiça não está preparada para punir assassinos do quilate dos Nardoni. Porque nada vale o fato deles terem sido julgados, e considerados culpados, pois isso talvez só tenha acontecido porque a opinião pública foi muito mais eficiente que o promotor público.

Depois do primeiro assunto heavy metal, vou tentar aliviar um pouco falando da Semana Santa.

A Semana Santa começa envolta num escândalo que assombra a sagrada Igreja Católica e seu sumo pontífice, uma acusação de que Bento XVI teria acobertado um caso de pedofilia na época em que era Arcebispo de Munique. Prometo não destilar aqui minha artilharia contra a Igreja, mas vamos concordar... Já está na hora de alguns dogmas, que eu qualificaria como no mínimo medievais, serem atualizados, não é? Essa história de voto de castidade é algo inútil e que com certeza abalaria menos a credibilidade da Igreja Católica do que os diversos casos de pedofilia.

A Semana Santa é uma época importante para os cristãos, é quando as pessoas estão mais solidárias, é quando realmente tratamos as outras pessoas como irmãs. O problema é que essa semana não deveria ser a única do ano em que as pessoas fazem isso. O problema do ser humano é que até na religião ele encontra motivo para fazer guerra.

Digo isso porque não existe nada mais absurdo do que uma guerra que tem como objetivo uma cidade que é considerada santa. Pela quantidade de sangue que já foi derramada, Jerusalém deixou de ser santa há muito tempo... Se é que foi um dia. Para não esquecermos de Renato Russo na semana de seu aniversário, faço minhas as palavras do grande poeta: “Não pode existir guerra santa, isso é uma contradição em termos.”

Boa páscoa!

By Eduardo

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Amor Acontece


Lá vou eu, varando a madrugada, tentar escrever algo no mínimo decente sobre amor. Ou sairá uma tragédia, ou algo extraordinário. Como não sou uma escritora exemplar, fico com a primeira opção, mas ainda assim, me arrisco. Vai que um anjo bom, se aproveita do meu estado de transe, com o sono se aproximando, e me inspira.

O tema que vou abordar, está em minha mente há uns quinze dias, martelando pra escrever sobre, porém minha vida corrida de enfermeira, aliada à responsabilidade semanal no outro blog, me fizeram empurrar isso com a barriga. Coisa mais feia e indisciplinada.
Há umas duas semanas, fui contemplar mais uma estréia da minha querida Jennifer Aniston, a Eloise em "Love happens", ou simplesmente como foi traduzido, "O amor acontece".

O filme tinha tudo pra ser mais um água com açúcar desses que toda mulher gosta de ver, mas não o é. Aliás, está mais pra drama, do que pra romance, visto que a história se passa em torno de um homem que ficou famoso ao escrever um livro sobre a superação da morte de um ente querido, e como seguir em frente (afinal a vida continua, e se entregar é uma bobagem, já dizia Renato Russo, na melancólica "Vento no Litoral"). Esse homem (que não me lembro o nome, repito, vi o filme por ela, nunca tinha visto mais gordo) conhece Eloise no hotel onde ele apresenta o seminário sobre o livro, onde as pessoas vão, para vencerem a dor e seguirem adiante. Porém ele mesmo foi incapaz de superar a perda precoce de sua esposa, e faz com os outros o que não consegue fazer para si mesmo.

E em torno dele, está a doce Eloise, trazendo sorriso e encanto aos seus dias, sendo pouco notada, apesar de ser notável.

Uma cena que me marcou, foi quando ele leva o grupo de seminaristas para o meio da rua, e pára o trânsito. Ele pergunta o que eles estão ouvindo. "Sirenes", "buzinas", "uma britadeira", "alguém nos xingando porque estamos no meio da rua", são algumas das frases ouvidas por ele. Em seguida, ele sobe com todos para o terraço do prédio, um desses arranha-céu. Lá, pergunta novamente, o que eles estão vendo.
"O sol no horizonte", "pássaros cantando", "uma mulher nua na piscina da cobertura" (com risos ao fundo), são frases ouvidas por ele.
Então ele diz: "Isso é parecido conosco. Dentro de nós, temos sirenes, ruído. Mas também...isso. (apontando para o lindo horizonte ensolarado)"
E completa: "Basta subirmos as escadas para ver, o edifício é o mesmo, tudo depende do ponto de vista"

Brilhante, não? Todos temos inquietações dentro de nós. E imensidão. No mesmo lugar, cabe a nós escolher a lente pela qual daremos nosso foco. Pro amor, é assim também. Vamos falar dele, já que é o título do post, e do filme.

O amor acontece quando um sopro de deslize se instala. Quando alguém perde o trem e conhece alguém em meio a uma estação lotada, ou quando se muda inesperadamente o rumo das coisas, e isso te faz enxergar alguém com outro olhar, ou encontrar um novo olhar pela primeira vez. Em outro filme que vi recentemente, a mocinha diz que foi olhar um catálogo numa livraria, e que um homem lhe pediu informação, e esse homem hoje é seu marido. E ela diz: " E se eu me atrasasse meia hora?se eu fosse pra outro lugar?Se eu fosse almoçar primeiro?".

Certas coisas não tem explicação. Mas acontecem, porque tinham que acontecer. Pra alguns que crêem, destino. Para outros, livre-arbítrio aliado à sorte. De qualquer forma, um pequeno acontecimento pode fazer o amor acontecer. Seja uma vida triste com uma perda não superada, que encontra recados estranhos atrás de quadros em paredes de corredor de hotéis, seja um porre que te impede de sair de casa e te faz passar a tarde na internet, enquanto conhece o amor da sua vida on line.

Para quem sabe abrir as portas e o coração, o amor faz visita e encontra moradia. O que não podemos deixar, é que algumas decepções passadas nos fechem para oportunidades futuras, visto que cada experiência é única e mesmo os erros, não se repetem da mesma forma. (Mas há que se ter bom senso em alguns casos)

Vi o final de uma novela também por esses dias e pensei: todo mundo feliz, como a vida deveria ser. Deveria? E a graça de lutar pela felicidade e para que as coisas se acertem? Quando tudo é muito fácil, perde-se o gosto, e o interesse. Tudo que é conquistado com esforço tem mais valor sentimental. E devemos sempre lembrar que a vida é muito além da soma de suas partes, então o ser feliz é algo que depende do que se tem, em que se crê e o que se deseja ter.

Independente disso, o amor acontece pra todos nós. Amantes apaixonados, mães de primeira viagem, mães de milésima viagem, irmãs que se descobrem melhores amigas, um hobby, uma profissão, uma platonite adolescente, um novo sabor de sorvete.

Mas o que importa na vida, é a vida que se leva e o que levamos no coração. Pro amor acontecer, é preciso estar aberto, ter sorte e principalmente, um olhar diferenciado para enxergar mágica onde os incrédulos acham que não existem milagres. Não deixe sua vida acontecer sem você.

By Monica





Amor...

Bom... Devo começar o texto avisando: Este é o lugar onde eu deixo minha veia revolucionária descansar e exponho minha versão mais amorosa e serena. Por este motivo optei por escrever um texto que nada mais é, do que uma resposta ou uma conclusão que tirei de um texto que li do meu admirado Arnaldo Jabor.

Em seu texto, Jabor falava que sempre lhe perguntavam nas ruas o que ele achava que era o amor. E como resposta, ele dizia não saber, mas aquela pergunta começou a intrigá-lo, então, em seu texto ele dizia mais ou menos isto: “O amor é um objeto de luxo nos dias de hoje, apenas as pessoas com muita sorte conseguem encontrar o amor verdadeiro”. E dizia também que as pessoas que colocavam o amor como meta de vida sempre acabavam se tornando tristes, pois quando não o encontravam transformavam aquele sentimento em mágoa por não tê-lo realizado.

Depois de muito pensar sobre o assunto, e reler um poema de Cazuza em que ele diz: “O amor é o ridículo da vida, pois a gente procura nela uma pureza que não existe”. Resolvi escrever aqui a minha opinião sobre o assunto. Sempre lembrando que não costumo escrever bons textos sobre amor, por isso não cobrem muito de mim.

Não acredito no amor como objeto de luxo, até porque, adjetivos como este, não servem para usar com amor. No dia em que o amor virar luxo de algumas pessoas, este dia será o fim do que conhecemos como raça humana.

O amor é fogo que arde sem se ver, já dizia o poeta. É algo realmente verdadeiro, que faz com que pessoas movam céus e terras, muitas vezes é o combustível que as pessoas precisam para seguir em frente.

Um sentimento que para ser sentido com toda sua intensidade, pede que você deixe de pensar em si mesmo para pensar no próximo, não pode ser algo que apenas alguns consigam sentir. O altruísmo é algo raro hoje em dia, nesta nossa sociedade cada vez mais narcísea e por isso, devemos sempre deixar o amor em primeiro lugar, não como uma meta, porque ele não pode e nem deve ser planejado, ele é algo que simplesmente acontece.

Nunca acorde e pense que hoje você irá encontrar o amor da sua vida, porque isso normalmente acontece quando as pessoas desistem de procurar. É só mais uma prova que recebemos, de que todo humano é santo e pode amar, sim. É quando encontramos em nós nossa parte mais pura, e isso não contradiz Cazuza, pois concordo com ele que não existe uma pureza atingível no amor, a real pureza reside em nós mesmos.

O mais belo da vida é quando amamos e somos amados, porque amor correspondido é o melhor modo de amar, em minha opinião, porque não existe quem não se sinta completo quando seu amor é correspondido na mesma intensidade pela parte que lhe completa.

Parafraseando o poeta, ridículas são as pessoas que nunca amaram, porque estão perdendo aquilo que a vida tem de mais belo, pois é quando deixamos de ser apenas mais um na multidão e nos tornamos parte importante na vida de alguém, é quando paramos de pensar apenas em nosso bem-estar para podermos pensar no próximo.

Como uma força da natureza, o amor vem e nos leva para onde quiser, ele é que sabe o momento que vai nos abraçar e nos fazer renascer.

O amor não tem explicação, ele simplesmente acontece, e devo confessar... Ele é tão bom quando aparece naquela noite de um dia estressante e faz com que a sua vida daquele momento em diante se torne imprevisível e impressionante.

O amor me pegou e me levou, não sei e não quero saber para aonde ele vai me levar, só sei que quando chegar lá, vou olhar para trás e agradecer pelo dia em que descobri que realmente é impossível ser feliz sozinho.

Para fechar este texto, acho necessário usar uma frase do meu grande poeta...

“Como é estéril a certeza de quem vive sem amor...” (“Completamente Blue” - Cazuza)


By Eduardo

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sobre Amizade e Outros Valores...

A vontade de escrever sobre temas extra-musicais sempre me consumiu: quando pequena, eu escrevia redações, livros, histórias, poemas, cartas e uma infinidade de letras que formam meu universo literário particular. Um belo dia, o Eduardo perguntou a si mesmo e a mim, porque nunca tínhamos colocado essa idéia em prática. Sério, eu não soube responder, porque não tinha porque não pôr essa idéia em prática (desconsidero o fato de eu ter surtos “nunca mais vou escrever”), visto que a inspiração é diária e vem de momentos cotidianos: desde “andar pela sombra” num dia quente, até “porque os bebês se sentem sozinhos” quando estão internados. Logo, tem assunto pra dar e vender. Dá pano pra manga. Imaginação fértil, de quem mora no país das maravilhas e vem tirar férias básicas no mundo real pra se indignar contra a dura realidade. Hoje, aproveitando que resolvi “tirar o atraso” literário, e voltei a escrever no blog sobre música, depois de quase dois meses ausente, pensei: está chovendo, frio e eu estou mesmo de dieta e sozinha, porque não começar a escrever, vai que sai algo bom?

Ok, isso não é um argumento sustentável e nem estou me vitimizando, até porque sou uma pessoa privilegiada: estou com as meias mais quentinhas e fofas do mundo, com uma sopa quentinha e deliciosa ao meu dispor, em casa, de bobeira, numa noite fria. Mas tem algo que me incomoda, e eu preciso eviscerar: amizade verdadeira existe nos dias de hoje? É sobre o que eu quero falar hoje. Razões? Deixo para o final. Mas esse assunto é um daqueles que dá pra falar mil vezes sem esgotar o leque de possibilidades.

Será que a amizade nos dias de hoje tem o mesmo valor que antigamente? Há alguns anos atrás, era comum as pessoas terem amizades de infância pela vida toda, e hoje em dia, fica cada vez mais raro esse tipo de afeto presente na vida corrida e descompromissada com as relações, onde cultivamos a nossa solidão.

Eu gostaria de reviver o sentido da amizade, aquela onde o altruísmo sobrepõe o egoísmo, onde o coletivo toma a liderança e a cumplicidade é vista como honra e não como título de burrice. Como seria um mundo onde não pudéssemos confiar e contar com ninguém? Prefiro não saber, mas desconfio que estamos nos imergindo progressivamente nele, tão lentamente, que quando nos dermos conta, estaremos afogados num mar de egos em competição.

Lembro do meu primeiro dia na escola nova, onde eu ia para o Jardim. Estava assustada, pois era uma escola enorme que tinha até nível superior, e antes, eu estudava num jardim escola de fundo de quintal. No primeiro dia, assustada, num cantinho, lembro de uma menina que sentou do meu lado e me ofereceu metade do refrigerante dela pra mim. E ficamos amigas, e eu lembro do rosto dela até hoje, apesar não tê-la visto mais, ao mudar de escola. Parece algo pequeno, mas hoje em dia, as crianças são treinadas para não dividirem suas coisas e pensarem antes em si próprias. Cuidado: Quem cria monstros, pode se tornar alvo deles. Crianças filtram e absorvem tudo ao redor, temos que ter cautela e pisar em ovos quando quisermos dar um exemplo, na forma como passamos os nossos valores.

Voltando ao exemplo do refrigerante dividido, onde eu tinha cinco anos, e sim, me lembro bem disso, pois era muito mais fácil cativar uma amizade, numa época onde éramos mais fraternais e nos tratávamos como irmãos: dividíamos tudo e tudo era festa. É preferível ter pouco e dividir, e nos alimentarmos de sentimentos também, do que ficarmos isolados em nosso castelo, sem ter pra quem mostrar todo nosso ouro.

Eu tenho amigos que não tem idéia do quanto são meus amigos, nem tem noção de como me são especiais, raros, caros e como me sinto afortunada por tê-los, nesse caótico mundo de sentimentos descartáveis, onde ganhar dinheiro e ter poder se tornaram prioridade em detrimento do “ser alguém com princípios”.

Se eu pudesse fazer tudo por eles, faria sem pestanejar. Eu aprenderia a voar, ou me conformaria em ter os pés no chão. Eu só gostaria de estar presente no melhor e no pior momento da vida deles, porque é preciso reconhecê-los em suas vitórias e nos reconhecermos como parte de suas tragédias, visto que a dor é subtraída na mesma proporção que a felicidade se multiplica. Uau. Quem diria, é matemática pura. Sem razão, mas tem lógica: a união faz a força. E um mais um consegue ser igual...a um. Uma só alma com dois corpos, um só coração em sintonia.

Vá entender, eu desisto, mas aceito e comemoro: quem inventou um sentimento onde o predomínio é o altruísmo, onde você pode ser exclusivo para alguns e único pra todos eles, e você se sente leve ao transbordar sua alma para além de si mesmo, merece um pedestal, e o meu reconhecimento. Respondendo e justificando minhas razões para falar sobre amizade? Não tem explicação, e nem acabou por aqui. Mas eu me sinto privilegiada por poder contar em mais de uma mão, os meus afetos sinceros, que eu guardo na parte mais nobre que há em mim. E me sinto vulnerável e triste quando não posso corresponder à uma expectativa, ou não estou presente como gostaria. Mas em pensamento, estamos juntos, sempre, em tão harmoniosa sintonia, que eu poderia tocar seu coração. O mundo é melhor, porque você existe. Jamais esqueça disso.

By Mônica

O Casal

Há muito tempo que estava a fim de começar a escrever sobre assuntos diversos, sem que fossem ligados propriamente à música. E hoje, depois de ir ao melhor show da minha vida (olha a música aí de novo), resolvi que iria começar a fazer isso.

Meio que sem querer, o assunto do texto foi retirado de algo que vi no show: Um casal de senhores, que dançava, namorava e se divertia ao som do The Cranberries.

Tá certo, a banda faz um som perfeito para embalar casais apaixonados, mas juro que não imaginaria um casal que deve ter no mínino 55 anos cada um, se divertindo e curtindo os gritos e dancinhas da alegre vocalista (que deu um show à parte).

Para que fique bem claro, não estou reclamando, nem dizendo que o casal não deveria ter ido, pelo contrário, aquele casal me arrebatou. Em vários momentos quase fui até eles perguntar seus nomes, pedir autógrafo ou coisa do tipo, porque é daquela forma que me imagino daqui uns 40 anos.

Fiquei me perguntando durante o show e na volta para casa: Há quanto tempo será que estão juntos? Será que são casados há mais de 20 anos? Será que são apenas namorados e por isso aquela empolgação toda?

Depois de muito me perguntar, tive uma conclusão óbvia do que era aquele casal de senhores que tinham acabado de se tornar exemplos para mim: Não importa se eles são casados há anos ou se estão apenas namorando há alguns meses... Eles se amam, dava para ver na empolgação dela e no sorriso no rosto e nos olhos dele, que mesmo na escuridão da casa de shows, conseguia destacar o brilho que ele tinha toda vez que olhava para sua amada.

Antes do fim do show, olhei pela última vez para o meu casal de ídolos e depois olhei para minha amada e imaginei sem compartilhar isso com ela: Daqui há 40 anos, quando os filhos do Cranberries voltarem ao Brasil, seremos nós dois pulando que nem garotos e uma multidão de jovens nos olhando querendo saber de onde vem tanta energia.

Eu sabia que o show seria maravilhoso, que provavelmente eu ficaria mais fã da banda ainda e a noite ficaria marcada na minha memória, porém nunca imaginaria que iria encontrar também um exemplo para minha vida.

Não sei o nome de vocês, tenho certeza que nunca lerão este texto e nunca nos veremos de novo, mas mesmo assim, me sinto na obrigação de dizer: Obrigado!

*Esse texto é dedicado a você meu amor, minha grande fonte de inspiração. Te amo!

NEOQEAV!

By Eduardo

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