terça-feira, 8 de março de 2011

E a Culpa é de Quem?

A culpa é de quem?

Que as desigualdades existem, todos sabemos e por vezes nos tornamos vítimas delas. Que as desigualdades de todo tipo – social, racial, religiosa, intelectual – existem e em vez de acrescentarem, segregam, todos nós sabemos. Mas há aquela que eu nunca tinha visto e fiquei perplexa: a desigualdade, ou melhor, a diferenciação, do que é igual.

Com a especialização crescente da mão-de-obra, o mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais exigente, e isso diferencia profissionais da mesma área – os mais capacitados terão cargo de destaque e, por isso, melhores salários do que os demais profissionais de sua área, seja por posição de prestígio ou cargo de importância hierárquica, o que justifica a diferenciação dos vencimentos e gratificações.

O que não se justifica, são profissionais com a mesma instrução e formação, sem nenhuma diferença curricular, ocupando funções que exigem o mesmo nível de conhecimento, terem diferenças salariais, para que se sintam “motivados” a não se corromperem. Meu Deus, que país é esse?

É de perder a fé na honestidade, visto que chega a ser indecente gratificar um profissional para que ele exerça seu papel adequadamente, dar um bônus pra não se corromper, enquanto outros, da mesma categoria, não recebem tal gratificação. Logo, estes podem se corromper...Certo? É o que parece, já que há esse contraste absurdo.

Ao tomar ciência que Policiais Militares que são alocados em Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) em comunidades carentes livres da ocupação dos traficantes, recebem uma “gratificação extra” que o policial que é alocado em batalhões não recebe, para que esse não seja corrompido em seu local de trabalho, onde há possível presença de elementos desertores da lei, fiquei estupefata. O que é isso?

Se o policial recebe mais para que não aceite corrupção, ele já está sendo “corrompido” com a “lei” que o favorece, para que ele não se corrompa para o lado B, o lado dos Bandidos literalmente falando – aqueles que todos reconhecem como tal, por não se disfarçarem de bons cidadãos.

O problema é que essa diferenciação não é só privilegiar uns em detrimento de outros, mas uma forma de corrupção “lícita”, onde se evita que o policial favoreça o marginal, sendo ele próprio o favorecido pra isso.

Como exigir desses profissionais que trabalham na linha tênue entre legalidade e ilegalidade, que mantenham uma caráter firme e um exercício digno de sua profissão, se o próprio sistema o ensina que ele pode receber benefícios, logo, não é necessário se satisfazer com os salários que recebem?

Que os salários são inadequados, isso é fato, e é vergonhoso exigir que um Ser Humano arrisque sua vida em exercício da profissão, se ele não se sente minimamente valorizado pra isso, porém usar o próprio erro do sistema para dar um cala a boca pro servidor não é solução decente, tampouco honesta, especialmente para aqueles que não são beneficiados com tais regalias, e sendo assim, se sentem totalmente desvalorizados em seus papéis de extrema relevância para o estabelecimento da ordem, no meio a esse caos em que vivemos.

Do outro lado, esse policial que não é beneficiado, encontra nessa injustiça, sua justificativa para a corrupção. O salário dele não é suficiente e ele se desmotiva ao ver que há uma discrepância entre ele e colegas que exercem a mesma função que ele, em locais que agora, estão teoricamente mais seguros. Essa situação, só vem a denegrir e desprestigiar ainda mais uma classe cada vez mais desprovida de valor, e que tenta proteger a sociedade do crime usando sua vida como escudo. O sistema está errado. Ele foi feito pra dar errado? A culpa é de quem? De quem tem o poder ou de quem dá o poder?

A culpa é de quem faz errado ou de quem não contesta os erros e exige que se faça o certo?

No fim das contas, todos são corruptos consigo mesmos, ao se traírem, deixando suas convicções de lado por comodismo, porque tentar mudar, questionar ou lutar pela transformação exige vontade, muito esforço, e mesmo assim, nem sempre dá certo. E nem todos têm coragem pra isso. Subornamos nosso próprio eu e nos vendemos ao sistema quando não deixamos extravasar nossa inquietação latente e a nossa inconformidade hemorrágica por tudo estar como está.

Deu pany no sistema, e ninguém percebeu. Acharam que era assim mesmo que funcionava. Ou tanto faz, nem reparamos se funcionava ou não. Deixa estar...O imperfeito não participa do passado e a perfeição está longe do futuro...

...E a culpa é de quem?

By Mônica

Liberdade, Liberdade

Pra você, o que é liberdade?

Liberdade para mim é poder ir e vir para onde quiser, e na hora que quiser. É poder escolher a pessoa que vai governar meu estado ou país. É poder ir às ruas caso essa pessoa não esteja sendo boa para o povo. É poder ouvir, ler e ver o que eu quiser, sem ter que seguir tendências de mercado.

Foi pensando nessa pergunta que cheguei até essa resposta, e foi pensando na última parte dessa resposta que cheguei a uma conclusão (confuso isso, não?): Nós não somos livres!

Você deve estar se perguntando “como assim não somos livres?”, vivemos num país democrático, onde podemos falar o que quisermos, ouvir de tudo, ver o que nos der na telha, ler o que nos for interessante e acessar aquilo que nos convir. Então, “como assim não somos livres?”, eu reafirmo, não somos livres!

Nós não ouvimos tudo o que queremos, ouvimos aquilo que nos é imposto pela indústria. Se no passado, nos era imposto ouvir Beatles, Led Zeppelin, Raul Seixas, Cazuza e Legião Urbana, hoje somos obrigados a ouvir e a ver na TV Restart, Cine, Ke$ha e etc. Mas aí alguns vão pensar “você está comparando os artistas de antigamente com os de hoje?” e eu respondo: Não! Só estou querendo dizer, que se os Beatles ou o Led Zeppelin são idolatrados hoje, é porque foram bandas que apareceram numa época em que era legal ser bom, que era legal nadar contra a corrente, que era legal pensar. Hoje, eles seriam apenas aquela banda legal, que meia-dúzia de pseudo-revolucionários como eu e críticos de música, ouviriam, porque não fazem parte do lixo mercadológico que nos é imposto. E se não ouvimos e temos aversão ao que é produzido culturalmente hoje, é porque tivemos a oportunidade de ouvir Beatles, Led Zeppelin e Cazuza, antes de Restart, Cine e Ke$ha.

Uma prova do que estou falando? Quem que está lendo esse texto – alguém está lendo esse texto? – já ouviu falar em Edu Krieger ou Rodrigo Maranhão? Pois é, eles são considerados os grandes compositores da nova geração da música brasileira, mas você já ouviu falar deles? Acho que não, e na verdade, não vai ouvir, porque eles não vendem. Talento hoje não vende disco, um bom livro não vende tanto quanto a saga Crepúsculo, um bom filme de Coppola, Scorcese ou Almodóvar não vende tantos ingressos quanto (olha ele aí de novo) a saga Crepúsculo. E eu nem preciso dizer que em termos literários e cinematográficos, todos os exemplos que usei são melhores que os da saga Crepúsculo.

A juventude de hoje está perdida, assim como a juventude da década de 60, com uma abismal diferença, eles pensavam, nós pensamos que pensamos.

E sabe o que é mais triste? Quando estourou as revoltas no Egito, quando o povo foi pra rua para tirar um ditador do poder, e conseguiu, eu achei: “legal, agora vamos começar uma nova era”, foi quando uma notícia no telejornal veio como um balde de água fria na minha cabeça... O Exército estava do lado do povo (quer dizer, o Exército não estava do lado do presidente, porque o Exército nunca está do lado povo, e sim dele mesmo) e por isso (e só por isso), que o presidente Mubarak renunciou, ou seja, o povo nunca tem o poder. Nós somos apenas marionetes na mão da burguesia militar que vai continuar fazendo “revoluções” iguais a de 64 e dos grandes tubarões da indústria musical e cinematográfica, que fazem com a gente o mesmo que os produtores de foie gras* fazem com seus gansos, nos empurram todo tipo de lixo (comercial e industrial) para que possamos morrer pela boca, ouvidos e mente.

De quem é o poder?

Uns dizem que é do presidente

E outros, de quem vem mais de cima”

(Cazuza/ Nilo Romero / George Israel)

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Foie_gras

By Eduardo

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