terça-feira, 8 de março de 2011

Liberdade, Liberdade

Pra você, o que é liberdade?

Liberdade para mim é poder ir e vir para onde quiser, e na hora que quiser. É poder escolher a pessoa que vai governar meu estado ou país. É poder ir às ruas caso essa pessoa não esteja sendo boa para o povo. É poder ouvir, ler e ver o que eu quiser, sem ter que seguir tendências de mercado.

Foi pensando nessa pergunta que cheguei até essa resposta, e foi pensando na última parte dessa resposta que cheguei a uma conclusão (confuso isso, não?): Nós não somos livres!

Você deve estar se perguntando “como assim não somos livres?”, vivemos num país democrático, onde podemos falar o que quisermos, ouvir de tudo, ver o que nos der na telha, ler o que nos for interessante e acessar aquilo que nos convir. Então, “como assim não somos livres?”, eu reafirmo, não somos livres!

Nós não ouvimos tudo o que queremos, ouvimos aquilo que nos é imposto pela indústria. Se no passado, nos era imposto ouvir Beatles, Led Zeppelin, Raul Seixas, Cazuza e Legião Urbana, hoje somos obrigados a ouvir e a ver na TV Restart, Cine, Ke$ha e etc. Mas aí alguns vão pensar “você está comparando os artistas de antigamente com os de hoje?” e eu respondo: Não! Só estou querendo dizer, que se os Beatles ou o Led Zeppelin são idolatrados hoje, é porque foram bandas que apareceram numa época em que era legal ser bom, que era legal nadar contra a corrente, que era legal pensar. Hoje, eles seriam apenas aquela banda legal, que meia-dúzia de pseudo-revolucionários como eu e críticos de música, ouviriam, porque não fazem parte do lixo mercadológico que nos é imposto. E se não ouvimos e temos aversão ao que é produzido culturalmente hoje, é porque tivemos a oportunidade de ouvir Beatles, Led Zeppelin e Cazuza, antes de Restart, Cine e Ke$ha.

Uma prova do que estou falando? Quem que está lendo esse texto – alguém está lendo esse texto? – já ouviu falar em Edu Krieger ou Rodrigo Maranhão? Pois é, eles são considerados os grandes compositores da nova geração da música brasileira, mas você já ouviu falar deles? Acho que não, e na verdade, não vai ouvir, porque eles não vendem. Talento hoje não vende disco, um bom livro não vende tanto quanto a saga Crepúsculo, um bom filme de Coppola, Scorcese ou Almodóvar não vende tantos ingressos quanto (olha ele aí de novo) a saga Crepúsculo. E eu nem preciso dizer que em termos literários e cinematográficos, todos os exemplos que usei são melhores que os da saga Crepúsculo.

A juventude de hoje está perdida, assim como a juventude da década de 60, com uma abismal diferença, eles pensavam, nós pensamos que pensamos.

E sabe o que é mais triste? Quando estourou as revoltas no Egito, quando o povo foi pra rua para tirar um ditador do poder, e conseguiu, eu achei: “legal, agora vamos começar uma nova era”, foi quando uma notícia no telejornal veio como um balde de água fria na minha cabeça... O Exército estava do lado do povo (quer dizer, o Exército não estava do lado do presidente, porque o Exército nunca está do lado povo, e sim dele mesmo) e por isso (e só por isso), que o presidente Mubarak renunciou, ou seja, o povo nunca tem o poder. Nós somos apenas marionetes na mão da burguesia militar que vai continuar fazendo “revoluções” iguais a de 64 e dos grandes tubarões da indústria musical e cinematográfica, que fazem com a gente o mesmo que os produtores de foie gras* fazem com seus gansos, nos empurram todo tipo de lixo (comercial e industrial) para que possamos morrer pela boca, ouvidos e mente.

De quem é o poder?

Uns dizem que é do presidente

E outros, de quem vem mais de cima”

(Cazuza/ Nilo Romero / George Israel)

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Foie_gras

By Eduardo

1 comentários:

Nine disse...

Neoqeav. Pra variar, texto perfeito. te amo!

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