sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Política da Nova Idade Média

Quando os brasileiros forem às ruas para votar no primeiro domingo de outubro deste ano de 2010, está será a sexta vez desde o fim da ditadura militar que um presidente será escolhido por voto direto.

De 1989 pra cá muita coisa aconteceu, vou citar as mais importantes: Fernando Collor de Melo (o primeiro presidente eleito pelo voto direto) sofreu um impeachment, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso foi eleito e reeleito (e também pediu para que esquecêssemos o que ele havia dito em seus livros), o ex-torneiro mecânico Luís Inácio Lula da Silva também foi eleito e reeleito após perder três vezes consecutivas (e se aliou com antigos inimigos políticos, como os ex-presidentes José Sarney e o supracitado Fernando Collor).

De lá pra cá apenas uma coisa não mudou, a estrutura eleitoral – não estou falando da urna eletrônica, que é a única coisa boa do sistema eleitoral -, o povo continua sendo obrigado a votar (defendo que o voto não deve ser uma obrigação e sim um dever), as campanhas políticas continuam poluindo as ruas (e não só do ponto de vista ambiental, mas também sonora e visualmente), o horário político também continua sendo obrigatório, e somos obrigados a aturar um circo dos horrores recheado de hipocrisia e demagogia.

Como se isso tudo que citei no parágrafo acima não fosse o bastante, o debate político, a única coisa que salvava o período eleitoral da mesmice, deixou de ser a única oportunidade dos eleitores verem os candidatos de “cara limpa” sem toda a pirotecnia dos programas de partido e sem a companhia dos famigerados marketeiros. E se tornou apenas uma extensão do horário político, pois pelo que vi dos “melhores momentos” do primeiro debate entre presidenciáveis, as respostas (e perguntas) foram todas dadas em piloto automático e até o meu/minha candidato (a) preferiu usar como argumento para ser eleita a sua infância humilde (mais do mesmo?). E depois acabei confirmando esta minha opinião, quando soube que os candidatos passaram os três dias que antecederam o debate trancados com seus assessores, formulando as respostas que dariam para todo tipo de pergunta, das mais estaparfúdias até as mais clichês.

Infelizmente minhas expectativas para essas eleições são as piores possíveis e minhas esperanças para que o cenário político nacional seja menos confuso que a América Central está cada vez menor. Torço para que algo mude até o dia da votação, mas pelo que posso ver, o povo continua extremamente ignorante quando o assunto é política.

“Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...”

(Brasil – Cazuza, Nilo Romero e George Israel)

By Eduardo

1 comentários:

Nine disse...

Falou e disse, e me orgulhou. As pessoas, até as mais instruídas, tem o hábito de fazer críticas políticas a quem considera inapto a estar no comando das coisas, e defender com unhas e dentes seu candidato, em alguns casos. Você teve uma visão crítica e reflexiva sobre quem pretende colocar no poder, e eu adorei isso. Coisas que só alguém com bom senso e capacidade de transformar consegue fazer. Eu te amo, me orgulho de você e quero ainda, aprender muito com esse seu lado politizado.

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