sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tema, Sem Tema.

Antes de qualquer coisa, começarei este texto com um aviso: Este texto não terá um tema central. Aí vocês vão se perguntar: “Oras e como esse cara quer que a gente leia um texto que não tem tema?”, e eu lhes respondo: “Este texto é como a vida... Ele falará de tantos temas, que no final das contas ele não terá tema.”.

Se conseguir transpor para cá os meus pensamentos, eu dissertarei sobre o casal Nardoni e a Semana Santa.

Vamos tentar começar falando do casal Nardoni que foi acusado, julgado e condenado pelo assassinato da pequena Isabella, filha de Alexandre.

Tentando me incentivar a escrever, Mônica me deu uma excelente idéia... Falar do que aconteceria no Brasil se ao invés de condenados, o casal fosse considerado inocente do crime.

Eu juro que estou tentando imaginar a cena: Um carro da polícia saindo pela porta dos fundos do fórum com o casal. Um sorrindo para o outro, com a sensação de que conseguiram enganar a todos e de que o tempo que passaram na cadeia foi apenas umas férias pagas com dinheiro do contribuinte. Os policiais no banco da frente revoltados com o fato de terem que escoltar o famigerado casal. As pessoas na porta do fórum querendo fazer um quebra-quebra com a decisão do juiz, o promotor Cembraneli soltando fogo pelas ventas, dizendo que vai recorrer da decisão e os advogados de defesa falando que a decisão foi justa. Nos jornais de domingo todos os colunistas escreveriam sobre o assunto, e o Fantástico faria uma enorme matéria tentando explicar (e entender) como o casal foi inocentando, mesmo com todas as provas apontando o contrário.

Com certeza na segunda-feira Alexandre e Ana Carolina dariam uma entrevista coletiva dizendo que a justiça foi feita. Alexandre dizendo que a filha era seu bem mais precioso e que estava sofrendo muito com aquilo tudo. Ana Carolina dizendo que tudo que viveu foi um pesadelo e que quer esquecer o passado e cuidar dos filhos.

Enquanto do outro lado da cidade, numa sala vazia e triste, uma mãe estaria chorando, segurando o relicário com a foto dela e da filha morta, uma criança de cinco anos, que foi defenestrada do sexto andar do prédio do pai, pelo próprio pai após ser praticamente torturada pela madrasta que a odiava simplesmente porque ela parecia com a mãe. Ana Carolina Oliveira estaria em estado de choque, porque além de ter perdido sua única filha, também corria o risco de encontrar com os culpados no cinema, no teatro ou em qualquer outro canto da cidade, pois eles haviam sido inocentados de um crime que nem eles acreditam que não cometeram.

As pessoas que ainda estão lendo este texto devem estar se perguntando por que escrevi isso tudo, já que graças a Deus o casal foi condenado e a mãe de Isabella mesmo que não possa ter a filha de volta, pelo menos pode ver os culpados atrás das grades. Eu fiz isso porque quero dizer que tudo o que aconteceu foi uma grande hipocrisia. Querem saber por quê?

Porque em mais ou menos 12 anos (até antes, esperem só a opinião pública esquecer do assunto) Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá estarão por aí livres aproveitando a decisão que os liberou para passar os dias em casa e a noite na cadeia, e depois de mais um ou dois anos – tudo depende da competência de seus advogados – eles estarão completamente livres, simplesmente proibidos de sair do seu estado de origem.

Nossa justiça não está preparada para punir assassinos do quilate dos Nardoni. Porque nada vale o fato deles terem sido julgados, e considerados culpados, pois isso talvez só tenha acontecido porque a opinião pública foi muito mais eficiente que o promotor público.

Depois do primeiro assunto heavy metal, vou tentar aliviar um pouco falando da Semana Santa.

A Semana Santa começa envolta num escândalo que assombra a sagrada Igreja Católica e seu sumo pontífice, uma acusação de que Bento XVI teria acobertado um caso de pedofilia na época em que era Arcebispo de Munique. Prometo não destilar aqui minha artilharia contra a Igreja, mas vamos concordar... Já está na hora de alguns dogmas, que eu qualificaria como no mínimo medievais, serem atualizados, não é? Essa história de voto de castidade é algo inútil e que com certeza abalaria menos a credibilidade da Igreja Católica do que os diversos casos de pedofilia.

A Semana Santa é uma época importante para os cristãos, é quando as pessoas estão mais solidárias, é quando realmente tratamos as outras pessoas como irmãs. O problema é que essa semana não deveria ser a única do ano em que as pessoas fazem isso. O problema do ser humano é que até na religião ele encontra motivo para fazer guerra.

Digo isso porque não existe nada mais absurdo do que uma guerra que tem como objetivo uma cidade que é considerada santa. Pela quantidade de sangue que já foi derramada, Jerusalém deixou de ser santa há muito tempo... Se é que foi um dia. Para não esquecermos de Renato Russo na semana de seu aniversário, faço minhas as palavras do grande poeta: “Não pode existir guerra santa, isso é uma contradição em termos.”

Boa páscoa!

By Eduardo

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